Archive for Abril, 2006

Lucky Number Slevin

Abril 24, 2006

Filme de Paul McGuigan. EUA, 2006.

Lucky number slevin

As aparências iludem, mas por vezes, a ilusão criada acaba por desiludir… um pouco.
Aquilo que parece e que ilude é a troca de identidades que duas quadrilhas de gangsters fazem com Selvin, um jovem em maré de azar que está de visita a um amigo. Além de sofrer várias agressões e de constatar o misterioso desaparecimento do seu amigo, Slevin, por via da troca de identidades, acaba por ser responsabilizado pelas dívidas de jogo do seu amigo desaparecido. Rodeado de criminosos mais ou menos sinistros e sob vigia da polícia, Slevin acaba por fazer uso de um jogo duplo astuto e de uma parceria algo inesperada para resolver a situação a seu favor. É aqui, contudo, que a ilusão parece não corresponder às expectativas, apesar das interpretações à altura do luxuoso elenco.

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Outra perspectiva sobre a previsível guerra contra o Irão

Abril 22, 2006

 Uma colecção de artigos sobre as razões que deverão levar os EUA a começar uma nova guerra, desta vez contra o Irão. Nestes artigos (tal como neste, neste e neste – uma pesquisa por "Iran Oil Bourse" encontrará mais alguns), argumenta-se que a verdadeira razão para a guerra que se avizinha e que está a ser planeada desde o início de 2005, pode não ser a ameaça nuclear, mas sim a Bolsa Iraniana do Petróleo (Iran Oil Bourse) que irá transaccionar exclusivamente em Euros.
Especula-se que terá sido o facto de o anterior regime iraquiano ter, em 2002, recusado aceitar o dólar como moeda de pagamento das exportações de petróleo do programa da ONU Oil For Food, que conduziu há invasão do Iraque por parte dos EUA.

O regime iraniano é certamente uns dos que menos simpatia nutre pelo Ocidente e essa é certamente uma boa razão para, nas instâncias apropriadas (nomeadamente junto da ONU), questioná-lo sobre as verdadeiras intenções do seu programa nuclear, contudo, usar a questão nuclear como argumento para iniciar uma nova guerra pode parecer algo excessivo, se levarmos em conta que, por um lado é um argumento semelhante ao usado na questão do Iraque (armas de destruição maciça) e que se provou ser totalmente falso e por outro lado, pode estar a servir de embuste para esconder a verdadeira agenda dos EUA. Dir-se-ia que aos poderosos todos os excessos são permitidos.
Um outro aspecto preocupante da questão, é o facto de a generalidade da comunicação social dar toda a cobertura à questão nuclear do Irão, sem procurar outros motivos para que toda a preocupação dos EUA se centre no Irão, especialmente quando existem no mundo outros países com programas nucleares fora do controlo da ONU e com líderes suficientemente insensatos para fazer uso deles para fins não-pacificos.

Inside Man

Abril 17, 2006

Filme de Spike Lee. EUA, 2006.

Inside man

Este é provavelmente o filme mais main stream de Spike Lee e não sendo isso necessariamente algo negativo, ele beneficia ainda de um argumento bastante engenhoso e inteligente.
Durante um assalto a um banco em Manhatan, são tomados 50 reféns. Enquanto a polícia de Nova Yorque faz todos os preparativos para garantir que consegue impedir o sucesso do assalto e salvar os reféns, o grupo assaltante faz também os seus preparativos para garantir que consegue levar até ao fim os seus intentos. Intentos esses que acabará por se ver que não passam por uma tentativa de roubo de dinheiro. Disto tem também a noção o próprio dono do banco – senhor de um passado que pretende manter escondido – que acaba por tomar medidas para garantir a segurança de informações vitais a seu respeito, introduzindo ainda mais agitação a uma situação já de si muito volátil. O desfecho não é exactamente inesperado, mas está bem conseguido. Durante o filme, assiste-se a constantes avanços e recuos no tempo em que decorre a acção e assiste-se também a uma série de diálogos carregados de um refinado humor.

Túlipa

Abril 12, 2006

A túlipa é um género de planta da famílias das liliáceas com cerca de 100 espécies. Contrariamente ao que se pensa, as túlipas não são originárias da Holanda. Elas são originárias da Túrquia, tendo sido trazidas para a Europa no século XVI pelo botânico bávaro Conrad von Gesner. Existe também a teoria de que as túlipas foram introduzidas na Europa por Lopo Vaz de Sampayo, um governador português dos territórios portugueses na India, tendo este trazido os bolbos do Sri Lanka aquando do seu regresso a Portugal. Contudo, esta história é pouco credível, uma vez que as túlipas não se dão no Sri Lanka e a ilha fica fora da rota que Sampayo deveria tomar na sua viagem de regresso. Independentemente de quem as trouxe para a Europa, o grande responsável pela sua proliferação é Charles de L’Ecluse (Clusius), um professor na faculdade de medicina da universidade de Leiden, que no final do século XVI foi autor do primeiro grande trabalho sobre túlipas e era proprietário de jardins com grandes quantidades de túlipas.

Túlipa matizada

O nome da flor foi inspirado na palavra Persa tulipam que significa turbante, tendo o erro a sua provável origem no costume turco de usar flores nas dobras dos turbantes. As túlipas não crescem na natureza em climas tropicais, uma vez que elas necessitam de um Inverno frio para florirem com sucesso.
Algumas variedades de túlipas apresentam padrões com múltiplas cores. Este fenómeno tem a ver com mudanças nos pigmentos das flores da túlipa. Estas variedades matizadas (ou variegadas) obtiveram os seus vistosos padrões graças a uma infecção viral transmitida por um insecto do pessegueiro muito comum nos jardins europeus do século XVII. Porém, este vírus além de dar uma beleza extra às flores da túlipa, também acabava por lhes causar a morte. Actualmente, vírus está quase totalmente erradicado das plantações.
Durante os meses de Abril e Maio, ocorrem na Holanda e em partes da América do Norte grandiosos festivais de túlipas. A não perder!

Keukenhof, holanda

Münster

Abril 11, 2006

Münster é uma das mais antigas cidades da Alemanha com cerca de 1200 anos e fica situada na província da Renânia do Norte-Vestfália. Em 793, Carlos Magno enviou como missionário para converter os Saxões com quem havia travado uma guerra, o frísio Liudger, oferecendo-lhe o forte franco de Mimigernaford junto ao rio Aa no cruzamento da estrada de Colónia com a estrada para a Frísia. Liudger construiu a sua igreja e o seu claustro na margem direita do rio Aa, no cimo da Hosterberg. Era um mosteiro e daí (monasterium) deriva o nome Münster.
Em 1648, foi assinada em Münster e Osnabrück a Paz da Vestfália que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos e que lançou um marco para a construção da Europa moderna. Mais tarde, em 1780, foi criada a Universidade de Münster que, ainda hoje com cerca de 40 mil estudantes, é um centro de excelência para a educação e investigação tendo grandes faculdades de artes, humanidades, ciências, Economia e Direito. Em 1802, Münster foi conquistada pela Prússia durante as guerras napoleónicas e foi elevada a capital da província Prussiana da Vestfália. Durante a II Guerra Mundial, a cidade sofreu grande devastação causada pelos raids aéreos das tropas aliadas, mas após o final da guerra, foi reconstruída no sue estilo original.

O fado frísio

Abril 11, 2006

Nynke laverman

Nynke Laverman é uma jovem artista holandesa natural da Frísia (uma província no norte da Holanda com uma língua e cultura próprias) que, após ter concluído os seus estudos na School Of Performing Arts de Amsterdão decidiu provar que apesar de não ser portuguesa, seria capaz de interpretar o fado. O resultado foi editado em Outubro de 2003 num disco com o nome de Sielesâlt (Sal da Alma) e foi muito bem recebido pela crítica holandesa. Curiosidade, muita curiosidade!