The Fall Of Constantinople

The Fall Of Constantinople – Nanami Shiono, 1972.

Quando em Abril de 1453 os exércitos controlados pelo sultão Mehmet II iniciaram o cerco de Constantinopla, já a força e influência do império Bizantino se resumia à solidez da grande muralha que rodeava a cidade e às frágeis alianças (essencialmente comerciais) com as Repúblicas italianas de Veneza e Génova. A construção do forte Rumeli, poucos quilómetros a norte de Constantinopla, na margem do europeia do Bósforo em local oposto ao forte Anadolu sem oposição bizantina digna de registo, serviu como demonstração das intenções dos Otomanos Turcos. A partir desse momento, os turcos passaram a controlar todo o tráfego marítimo de e para o Mar Negro. Geograficamente já isolados e politicamente incapazes de atrair apoio junto de outros reinos europeus (nem mesmo quando, contra a vontade do povo, a Igreja Ortodoxa Grega se converteu por decreto à influência da Igreja Católica Romana), foi uma questão de tempo até que o grande império Bizantino sucumbisse à superioridade bélica turca.

O livro serve-se dos testemunhos pessoais deixados por alguns daqueles que assistiram e viveram o cerco para relatar com grande precisão os acontecimentos que levaram à queda de Constantinopla. Não faltam descrições acerca dos desenvolvimentos militares, políticos, religiosos e inclusivamente pessoais ocorridos durante a preparação e execução do cerco. Ressaltam do ponto de vista político e militar a grande força da armada veneziana (único aliado declarado dos gregos, já que os genoveses optaram por uma neutralidade que pretendia manter boas relações com o vencedor do conflito e o controlo de parte do comércio marítimo no Mar Negro – nenhuma dessas pretensões se viria a verificar), o bem treinado e equipado, mas pouco numeroso, exército grego e a incapacidade da diplomacia bizantina para atrair em tempo útil apoios para a sua causa. Do lado turco, que por esta altura já controlava vastas regiões na parte oriental da Europa, a influência era determinada, além da avassaladora superioridade numérica dos seus exércitos, pela atitude feroz e cruel do sultão e do seu exército de elite constituído por jovens nascidos cristãos mas que cedo foram raptados e convertidos ao islamismo – os Janissários. Na frente da batalha, para o desorganizado exército turco, a escolha era entre dar a vida atacando a grande muralha de Constantinopla e os seus defensores ou morrer à espada dos Janissários.
Do ponto de vista religioso, são dados a conhecer detalhes acerca das discussões mantidas no seio do clero grego entre aqueles que estavam contra o acordo de unificação da igreja Ortodoxa Grega com a igreja Católica Romana e os que estavam a favor dessa unificação. Os primeiros, mais conservadores, pretendiam essencialmente manter-se afastados das influências renascentistas que por esta altura já se faziam sentir em Roma, os outros, mais pragmáticos, viam isso como um mal menor quando comparado com o resultado que teria uma invasão turca muçulmana. No final, os turcos, em troca de ajuda na organização da grande cidade (originalmente, os turcos eram um povo nómada sem grande experiência na organização de cidades, e certamente menos ainda na organização de uma grande cidade como Constantinopla) e apesar dos actos de vandalismo e de profanação de símbolos religiosos (nomeadamente a Catedral de Santa Sofia), garantiram aos gregos a sua liberdade religiosa. Este facto, que parece ter sido uma característica dos Otomanos (na parte europeia do Império Otomano, várias comunidades cristãs, judaicas e muçulmanas co-habitavam em relativa tranquilidade), acabou por dar origem a interessantes factos que chegaram até à actualidade. O primeiro é o facto de que o patriarcado grego está ainda sediado em Istambul e o segundo é o facto de que mesmo 400 anos depois da invasão turca de Constantinopla, durante a I Guerra Mundial, a identidade grega manteve-se suficientemente forte para readquirir a sua independência.
Do ponto de vista pessoal, descrevem-se pormenores acerca dos familiares do imperador Constantino XI que se exilaram para fugir à eminente invasão turca e da maneira como o imperador era visto pelos seus mais directos colaboradores. Já do lado turco, são referidos aspectos da crueldade com que o sultão lidava com os seus súbditos e dos ódios que essa atitude alimentava na sua corte bem como aspectos relacionados com as suas variadas preferências sexuais.

O livro está escrito num estilo muito acessível o que, provavelmente quererá dizer que o trabalho de pesquisa deve ter sido enorme. Como é referido acima, a narrativa é baseada nos relatos de pessoas que de algum modo estiveram envolvidas no cerco de Constantinopla, o que lhe dá uma precisão em relação aos factos tão grande quanto é possível a mais de 550 anos de distância.

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