A vitória do NÃO no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa

A teimosia que os europeus têm revelado nos sucessivos referendos à constituição europeia (e agora ao seu clone Tratado de Lisboa) parece só ter paralelo na teimosia daqueles que nos querem submeter a tal lei. Em Maio/Junho de 2005, foram os franceses e os holandeses que acharam que a constituição que lhes estava a ser proposta, ainda que longa e volumosa, não era exactamente aquela que mais desejavam. O resultado dos referendos em França e na Holanda lançou sorrisos amarelos por toda a Europa, mas tratando-se de tão ilustres membros da União, foi necessário parar todo o processo para re-baptizar o documento, embelezar alguns dos seus parágrafos e (acima de tudo) contornar o incómodo causado pela consultas populares nos estados membros. Não fora o empecilho causado pela constituição irlandesa, que obriga a submeter a referendo a ratificação de tratados internacionais, e a esta hora ainda estaríamos a festejar a assinatura do Tratado de Lisboa.

Porém, a verdade é que o referendo teve mesmo que ser feito e o resultado foi um teimoso NÃO! (Claramente, alguém não aprendeu a lição. É que já em 2001 os velhacos dos irlandeses tinham rejeitado o Tratado de Nice. Eventualmente, num segundo referendo, os irlandeses acabariam por aceitar o tratado. Segundo alguns testemunhos, houve apelos por parte dos defensores do SIM para que se mantivesse a sobriedade porque à segunda seria a valer… desde que o resultado fosse a vitória do SIM)

Desta vez, porém, não houve tempo para sorrisos amarelos, todos se apressaram para Bruxelas para, numa clara demonstração de respeito pela decisão do povo irlandês, lembrarem a Irlanda de que, ou se despacha a arranjar uma solução para o problema que criou, ou fica pelo caminho. Uma vez que ficar pelo caminho poderia ser visto como o deitar por terra do esforço dedicado daqueles que laboriosamente aprovaram o tratado, parece que a Irlanda terá de se despachar a, mais uma vez, repetir o referendo. Esta prática parece estar a tornar-se habitual na Irlanda e, desde que garanta os resultados desejados, não parece incomodar os princípios democráticos dos dirigentes da UE.

Para garantir que o resultado desse referendo não trará mais inconvenientes para a Europa e para evitar enganos por parte dos eleitores, seria talvez sensato incluir nos boletins de voto somente espaço para o voto no SIM.

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