Archive for the ‘Livros’ Category

Seis Graus – O nosso futuro num planeta em aquecimento

Abril 6, 2008

Seis Graus – O nosso futuro num planeta em aquecimento – Mark Lynas, 2007

Seis graus, seis cenários de grande risco para a humanidade. Neste livro, Mark Lynas expõe-nos os cenários que são expectáveis à medida que a temperatura média do planeta vai aumentando graças às emissões excessivas de gass com efeito de estufa. Por cada graus a mais, as consequências tornam-se sucessivamente mais catastróficas para a vida na terra. Desde as alterações nos padrões da chuva e das secas para um aumento de um grau, até ao cenário de extinção da grande maioria das espécies com as quais partilhamos o planeta (sendo o risco para os humanos também muito elevado) para um aumento de seis graus.

Segundo Lynas, a humanidade está prestes a conseguir em algumas décadas aquilo que em períodos pré-históricos, há muitos milhões de anos atrás, na natureza levou dezenas de milhar de anos a acontecer, tudo, alegadamente, graças ao uso excessivo de combustíveis fósseis. Os cenários parecem verdadeiramente preocupantes e se considerarmos que com excepção da Europa Ocidental, não parece haver nem um esforço nem um compromisso sério dos líderes mundiais para alterar a actual tendência, então o planeta que deixaremos às gerações seguintes será muito diferente daquele em que nos habituámos a viver.

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O Português Que Nos Pariu

Janeiro 14, 2008

O Português Que Nos Pariu – Angela Dutra de Menezes, 2000.

O papel e a influência de Portugal na formação do Brasil e da sua cultura vistos a partir do Atlântico Sul com uma dose característica de bom humor. Condensar em menos de 200 páginas a História de Portugal e passar, ainda que superficialmente, pelos períodos anteriores à fundação da nação, requer um elevado poder de síntese. No entanto, a autora consegue manter o essencial da História acrescentando-lhe apontamentos de humor que rompem com a visão mais tradicional da História. Pelo meio, deu-me ainda tempo para aprender que a expansão territorial do Brasil se deu aquando (e por consequência) do reinado os Filipes e que a Revolução Industrial em Inglaterra foi em grande parte financiada pelo ouro trazido do Brasil pelos navios portugueses que, graças a acordos comerciais extremamente desvantajosos, não fazia mais do que uma pequena escala em Portugal, para depois seguir viagem até Inglaterra.

“…nenhuma alcunha define melhor dom Manuel que o Venturoso. Cara de sorte. Se, naquele idos, existissem lotarias, ele paparia todas.
   Para começar, couberam-lhe as glórias da vitoriosa viagem de Vasco da Gama, planejada nos tintins por dom João II. Na história do descobrimento do caminho marítimo para as Índias, a única coisa que dom Manuel fez foi ordenar que Lisboa festejasse a efeméride.”
   “Mal Portugal sossegou da orgia, veio Cabral e… pimba: chutou dom Manuel para a história de outro continente. Novas festas, novos delírios e assim nasceu o carnaval.”

Apesar de alguns avanços e recuos cronológicos entre capítulos que causam alguma confusão ao leitor, trata-se de uma óptima lição da História de Portugal.

 

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Six Degrees – The Science of a Connected Age

Setembro 16, 2007

Six Degrees – The Science of a Connected Age – Duncan J. Watts, 2003

O título do livro soa um pouco a cliché, tendo inclusivamente sido também usado em filmes e séries televisivas, antes e depois da edição deste livro. Porém, a história que indirectamente lhe dá origem é bastante mais antiga, remontado a 1929. Nessa altura, o húngaro Fringyes Karinthy lançou o desafio de encontrar alguém que estivesse afastada dele por mais de 5 níveis de conhecimentos. Mais tarde, em 1967 Stanley Milgram realizou uma experiência (small world experiment) que pretendia descobrir a distância média (número de intermediários) entre quaisquer duas pessoas. A experiência consistia em fazer com que um grupo de indivíduos de uma cidade fizesse chegar uma carta a um outro individuo que os primeiros desconheciam noutra cidade distante. Os primeiros indivíduos da cadeia teriam que enviar a carta a conhecidos seus que eles achassem poder de algum modo fazer a carta chegar o mais rapidamente possível ao destino final. De seguida, os receptores teriam que repetir o processo sucessivamente até que finalmente a carta chegaria ao destino. Dos resultados obtidos, concluiu-se (de modo algo exagerado, tendo em conta o número de cartas que de facto chegou ao destino) que o número médio de graus de separação foi seis.

Apesar da referência a estes estudos, o livro de Duncan J. Watts vai mais longe e tenta fazer das redes e das suas ligações uma ciência onde se cruzam saberes científicos de áreas como a matemática, a física, a biologia, a sociologia ou a economia e onde se tenta perceber por que razão os grilos emitem os seus sons de modo sincronizado, que contactos sociais existem entre os gestores da 500 maiores empresas do mundo, ou porquê as economias por vezes entram em colapso. Esta nova ciência permite, para qualquer tipo de rede com determinadas características, prever alguns comportamentos e reacções em situações como a partilha ou disseminação de informação ou o contágio de doenças, mas deixa claro que o acaso tem um papel muito importante a desempenhar em todo o processo.

“Networks share resources and distribute loads, and they also spread disease and transmit failure – they are both good and bad. (…) by drawing explicit relationships between the structure of real networksand the behaviour (…) of the system, they connect, the science of networks can help us understand our world.”


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A Short History Of Tractors In Ukrainian

Junho 19, 2007

A Short History Of Tractors In Ukrainian – Marina Lewycka, 2005.

Dois anos após a morte da sua mulher, Nikolai Mayevskyj Alexeevich um imigrante ucraniano de 84 anos a viver na Inglaterra há décadas, apaixona-se por uma mulher de 38 anos. Este é o mote para uma história que se desenvolve entre o trágico e o cómico. Farto da solidão da sua viuvez, Nikolai, um engenheiro mecânico na reforma, decide ajudar Valentina, uma ucraniana que pretende emigrar para a Inglaterra para escapar à incerteza da vida na Ucrânia ainda cambaleante após a saída do comunismo do império soviético e para garantir uma educação condizente com o génio do seu filho. Para tal, Nikolai terá de casar com Valentina o que lhe garantirá o acesso ao desejada permissão de residência, mas mesmo antes do casamento, já era evidente para todos – excepto para Nikolai – que Valentina se preparava para dar o “golpe do baú”. É então que as filhas de Nikolai – Nadezhda e Vera – se unem para salvar o pai da miséria e da espiral de degradação que o começa a rodear. Entretanto o velho Nikolai, cujo estado de espírito varia entre o obcecado com a sua nova e vistosa esposa e o deprimido pela maneira como ela o trata, decide partilhar os seus conhecimentos técnicos com o mundo e escreve Uma Breve História Dos Tractores Em Ucraniano.

Paralelamente a este hilariante cenário de faca-e-alguidar, desenrola-se o drama da família de Nikolai – e da própria Ucrânia – nos anos que antecederam a sua ida para a Inglaterra vividos entre as perseguições e deportações do regime soviético liderado por Estaline, cujas loucuras levaram à fome e à morte de mais de 6 milhões de ucranianos, e a invasão da Alemanha Nazi, liderada por Hitler, cuja loucuras levariam – por entre muitas outras tragédias – Nikolai, com a sua mulher e a sua filha mais velha, a um campo de concentração algures na Alemanha, de onde só sairiam após a chegada dos soldados britânicos. Uma pequena lição de História sobre um povo que só conheceu verdadeiramente a independência após a queda do regime comunista soviético em 1991.


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Comedy Writing Secrets

Junho 15, 2007

Comedy Writing Secrets (2nd edition), Melvin Helitzer – 2005

Um manual onde, além dos vários conceitos, técnicas e instrumentos usados para a escrita de humor, se aprende que não basta ter graça para, de forma consistente, se ser engraçado. A fórmula parece ser 10% inspiração + 90% transpiração. A leitura é divertida e está recheada de exemplos e citações de autores – uns mais conhecidos do que outros – da cena humorística americana. Podem ainda encontrar-se no final de cada capítulo exercícios que ajudam os leitores com pretensões a serem humoristas – ou simplesmente curiosos acerca das suas capacidades como escritores de humor – a consolidar os conhecimentos adquiridos e a criarem o seu próprio material.

Embora os aspectos teórico e técnico possam retirar o divertimento da criação humorística, garantem, por outro lado, uma capacidade para exercer um olhar crítico como espectador.

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If you saw a heat wave, would you wave back?
Steven Wright

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One day I was playing-I was about seven years old-and I saw
the cellar door open just a crack. Now my folks had always
warned me: Emo, whatever you do, don’t go near the cellar door.
But I had to see what was on the other side if it killed me, so I
went to the cellar door, pushed it open and walked through, and I
saw strange, wonderful things-things I had never seen before-
like … trees, grass, flowers, the sun-that was nice!
Emo Philips

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Two old men were watching a Great Dane lick his balls. One turned
to the other and said, “All my life, I’ve wished that I could do that!”
The second one said, “Better pet him first, he looks mean as hell.”
Billy Crystal

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Bart, a woman is like a beer. They look good, they smell good, and
you’d step over your own mother just to get one!
Homer Simpson

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GEORGE: I get the feeling when lesbians are looking at me,
they’re thinking: “That’s why I’m not heterosexual.”
Seinfeld


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The Fall Of Constantinople

Março 16, 2007

The Fall Of Constantinople – Nanami Shiono, 1972.

Quando em Abril de 1453 os exércitos controlados pelo sultão Mehmet II iniciaram o cerco de Constantinopla, já a força e influência do império Bizantino se resumia à solidez da grande muralha que rodeava a cidade e às frágeis alianças (essencialmente comerciais) com as Repúblicas italianas de Veneza e Génova. A construção do forte Rumeli, poucos quilómetros a norte de Constantinopla, na margem do europeia do Bósforo em local oposto ao forte Anadolu sem oposição bizantina digna de registo, serviu como demonstração das intenções dos Otomanos Turcos. A partir desse momento, os turcos passaram a controlar todo o tráfego marítimo de e para o Mar Negro. Geograficamente já isolados e politicamente incapazes de atrair apoio junto de outros reinos europeus (nem mesmo quando, contra a vontade do povo, a Igreja Ortodoxa Grega se converteu por decreto à influência da Igreja Católica Romana), foi uma questão de tempo até que o grande império Bizantino sucumbisse à superioridade bélica turca.

O livro serve-se dos testemunhos pessoais deixados por alguns daqueles que assistiram e viveram o cerco para relatar com grande precisão os acontecimentos que levaram à queda de Constantinopla. Não faltam descrições acerca dos desenvolvimentos militares, políticos, religiosos e inclusivamente pessoais ocorridos durante a preparação e execução do cerco. Ressaltam do ponto de vista político e militar a grande força da armada veneziana (único aliado declarado dos gregos, já que os genoveses optaram por uma neutralidade que pretendia manter boas relações com o vencedor do conflito e o controlo de parte do comércio marítimo no Mar Negro – nenhuma dessas pretensões se viria a verificar), o bem treinado e equipado, mas pouco numeroso, exército grego e a incapacidade da diplomacia bizantina para atrair em tempo útil apoios para a sua causa. Do lado turco, que por esta altura já controlava vastas regiões na parte oriental da Europa, a influência era determinada, além da avassaladora superioridade numérica dos seus exércitos, pela atitude feroz e cruel do sultão e do seu exército de elite constituído por jovens nascidos cristãos mas que cedo foram raptados e convertidos ao islamismo – os Janissários. Na frente da batalha, para o desorganizado exército turco, a escolha era entre dar a vida atacando a grande muralha de Constantinopla e os seus defensores ou morrer à espada dos Janissários.
Do ponto de vista religioso, são dados a conhecer detalhes acerca das discussões mantidas no seio do clero grego entre aqueles que estavam contra o acordo de unificação da igreja Ortodoxa Grega com a igreja Católica Romana e os que estavam a favor dessa unificação. Os primeiros, mais conservadores, pretendiam essencialmente manter-se afastados das influências renascentistas que por esta altura já se faziam sentir em Roma, os outros, mais pragmáticos, viam isso como um mal menor quando comparado com o resultado que teria uma invasão turca muçulmana. No final, os turcos, em troca de ajuda na organização da grande cidade (originalmente, os turcos eram um povo nómada sem grande experiência na organização de cidades, e certamente menos ainda na organização de uma grande cidade como Constantinopla) e apesar dos actos de vandalismo e de profanação de símbolos religiosos (nomeadamente a Catedral de Santa Sofia), garantiram aos gregos a sua liberdade religiosa. Este facto, que parece ter sido uma característica dos Otomanos (na parte europeia do Império Otomano, várias comunidades cristãs, judaicas e muçulmanas co-habitavam em relativa tranquilidade), acabou por dar origem a interessantes factos que chegaram até à actualidade. O primeiro é o facto de que o patriarcado grego está ainda sediado em Istambul e o segundo é o facto de que mesmo 400 anos depois da invasão turca de Constantinopla, durante a I Guerra Mundial, a identidade grega manteve-se suficientemente forte para readquirir a sua independência.
Do ponto de vista pessoal, descrevem-se pormenores acerca dos familiares do imperador Constantino XI que se exilaram para fugir à eminente invasão turca e da maneira como o imperador era visto pelos seus mais directos colaboradores. Já do lado turco, são referidos aspectos da crueldade com que o sultão lidava com os seus súbditos e dos ódios que essa atitude alimentava na sua corte bem como aspectos relacionados com as suas variadas preferências sexuais.

O livro está escrito num estilo muito acessível o que, provavelmente quererá dizer que o trabalho de pesquisa deve ter sido enorme. Como é referido acima, a narrativa é baseada nos relatos de pessoas que de algum modo estiveram envolvidas no cerco de Constantinopla, o que lhe dá uma precisão em relação aos factos tão grande quanto é possível a mais de 550 anos de distância.

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Peopleware

Junho 18, 2006

 Um interessante livro de Tom DeMarco e Timothy Lister sobre gestão de recursos humanos. O livro fala, recorrendo a exemplos por vezes anedóticos, das causas e dos efeitos que uma má gestão dos recursos humanos pode ter sobre a produtividade e sobre o sucesso dos projectos. Apesar das experiências passadas dos autores estarem ligadas ao desenvolvimento de software, o livro tem ensinamentos úteis para qualquer actividade que envolva a gestão de recursos humanos. Boa leitura.

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